
Neste ano da misericórdia, somos chamados a recorrer a
misericórdia de Deus através do sacramento da confissão. Esta é a principal
“porta” pela qual devemos passar para o encontro com a misericórdia de Deus.
Porém é necessário compreendermos mais sobre este grande momento de graça,
superarmos preconceitos indo sem medo ao Senhor que nos espera sem se cansar
para nos dar seu perdão com amor.
1. Deus escolhe instrumentos frágeis para mostrar que sua
misericórdia não tem limites.
Um dos sinais da misericórdia divina neste sacramento é que Deus
escolheu homens frágeis para dar seu perdão. Neste sentido entendemos as palavras
de São Paulo: trago este tesouro em vasos de barro para mostrar que este dom
não vem de nós (cf. 2 Coríntios 4, 7). Em João 20, 23 aparece claramente o
mandato dado por Jesus ressuscitado aos apóstolos que não eram anjos, mas
pecadores, para perdoar em nome de Deus: “... os pecados que vocês
perdoarem serão perdoados...”. Este modo de perdoar do Senhor escolhendo
pecadores como instrumentos de sua misericórdia nos faz ver como a graça divina
não pode ser limitada. Assim, não deveríamos desacreditar na validade do
sacramento somente por ser o ministro um ser humano. Para Deus nada é
impossível, se no Evangelho Cristo curou o cego usando lama, não poderá Ele curar
da ferida do pecado através do sacerdote?
2. A misericórdia de Deus é maior que o pecado.
Se a misericórdia divina derramada no sacramento da confissão não
é anulada pela fragilidade dos seus ministros, tampouco será cancelada por
causa da gravidade dos pecados daquele que se confessa. Muitos se afastam de
Deus achando que não podem ser perdoados. Quantos caíram no desespero, não
querendo mais viver, pensando que Deus não os ama mais, devido suas quedas? A
Palavra do Senhor neste sentido nos dá um consolo: todo pecado tem perdão,
menos o pecado contra o Espírito Santo (cf. Mateus 12, 31-32). Como entender
isso? Pecar contra o Espirito Santo é se fechar ao perdão acreditando estar as
misérias humanas acima da misericórdia divina. Aqui, valem as palavras do Papa
Francisco: “Deus jamais se cansa de perdoar, nós que nos cansamos de pedir
perdão”.
3. A confissão não é tribunal, mas encontro.
Recentemente, foi lançado um livro cujo título é “O nome de Deus é
misericórdia”. Neste livro o Papa Francisco, em entrevista ao italiano, Andrea
Tornielli, fala que o momento da confissão não deveria ser
transformado numa “sala de tortura”. Enquanto confessor, consciente de minhas
fraquezas e pecados, não poderia eu ser rude com o penitente. Sem dúvidas,
alguns esclarecimentos e orientações devem ser dados, no entanto, por estar, também,
eu, padre, sujeito a quedas, farei isso com caridade, paciência e misericórdia.
Muitos provavelmente se afastem pela forma apressada ou impaciente como estou
confessando. Ao atender uma confissão devo ser eu sinal visível do encontro com
Deus que é paciente, também, para comigo. Por outro lado, o penitente diante de
suas feridas espirituais não precisa ter medo ao se dirigir ao confessionário
como se estivesse indo a um tribunal. Santa Faustina Kowalska escreve em seu
diário a este respeito: “Quanto maior o pecador, tanto mais direito ele tem a
minha Misericórdia” (723)
Conclusão
Deste modo diante do que refletimos, é importante compreender que
na confissão é Deus quem perdoa por meio do sacerdote. Ele é o artista, nós
padres somos apenas instrumentos quebrados em sua mão. A obra acontece porque
Ele vem em nosso socorro e faz sua misericórdia agir em nós apesar de nossa
pequenez. Não adiemos a nossa confissão por vergonha ou medo deixando de fazer esta
profunda experiência com a misericórdia de Deus que como Pai nos espera de
braços abertos para nos encontrar.